ExperiÍncias do pensamento: veja 10 que ajudam (ou n„o) a entender o mundo (19/07/2016)


Experiências do pensamento: veja 10 que ajudam (ou não) a entender o mundo





 


Publicado em 19.07.2016
 


Os fil√≥sofos t√™m suas maneiras pr√≥prias e, √†s vezes, bastante peculiares, de enxergar e entender o mundo. Para compartilhar seus conhecimentos conosco, reles mortais, eles possuem alguns m√©todos espec√≠ficos. Os mais divertidos deles s√£o as ‚Äúexperi√™ncias de pensamento‚ÄĚ: racioc√≠nios l√≥gicos a respeito de experimentos que n√£o s√£o realizados na pr√°tica, mas podem ter suas consequ√™ncias exploradas pelo nosso pensamento e pela nossa imagina√ß√£o.


Alguns destes experimentos são extremamente famosos, como a Caverna de Platão. Outros, nem tanto. Aqui estão dez das experiências de pensamento mais curiosas propostas pelos filósofos para tentar entender o mundo:


10. O Burro de Buridan

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Imagine que um burro se encontra colocado precisamente entre duas pilhas igualmente tentadoras de feno. Não há absolutamente nenhuma diferença entre qualquer um dos potenciais jantares. Qual o burro vai escolher? Quanto mais faminto ele fica, mais ele deseja comer e ainda mais importante a sua escolha se torna. Se nenhuma pilha de feno tem uma vantagem sobre a outra, então como o burro pode escolher uma? Ele vai continuar pensando na escolha até morrer.




 


Achou isso exagerado? Que nada!



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Embora este experimento mental seja chamado de Burro de Buridan, ele n√£o aparece nas obras deste fil√≥sofo do s√©culo 14. Ideias semelhantes podem ser encontradas voltando at√© Arist√≥teles. Talvez esta experi√™ncia deva simplesmente ser realizada para descobrir como um burro real iria se comportar ‚Äď e para responder a perguntas importantes sobre o livre-arb√≠trio. Talvez o maior problema seja encontrar refei√ß√Ķes id√™nticas para oferecer ao animal.


9. Caverna de Plat√£o

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A já citada alegoria da Caverna de Platão serve para nos ensinar sobre a concepção da realidade de Platão. Para ele, a realidade que tocamos com os nossos sentidos não é mais do que uma sombra de uma realidade superior. Esta ideia pode ser difícil de entender, então ele a colocou sob a forma de uma alegoria.


Você encontra-se acorrentado em uma caverna, incapaz de mover sua cabeça. Tudo o que você pode ver é a parede na sua frente. Você ouve outras pessoas acorrentadas ao seu lado, mas não pode vê-las. Em algum lugar atrás de você, um incêndio lança luz sobre a parede. Quando as pessoas passam entre o fogo e a parede, você pode ver suas sombras e ecos abafados. Tanto quanto você sabe, as sombras são tudo o que existe. Então, de alguma forma, você se liberta. Você fica de pé, vê o fogo e vê os objetos que formam as sombras. Você também vê uma maneira de sair da caverna. Na luz do sol, seus olhos ficam ofuscados, mas você em breve passa a conhecer o mundo real. Se você então é arrastado de volta para dentro da caverna, seus olhos ficariam mal ajustados ao escuro. Se você tentar explicar a natureza da realidade para os outros homens acorrentados, eles pensariam que você teria ficado louco, zombariam de você e possivelmente o matariam.


8. A Sala Chinesa

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Suponha que voc√™ n√£o sabe falar ou ler em chin√™s. Voc√™ se encontra em uma sala cheia de livros escritos em chin√™s e um conjunto de instru√ß√Ķes escritas em portugu√™s dizendo-lhe o que fazer. Um peda√ßo de papel com escrita chinesa √© passado para dentro da sala. Voc√™ consulta suas instru√ß√Ķes e copia os caracteres chineses, de acordo com as regras que lhe s√£o dadas, e passa a sua resposta para fora da sala. Para a pessoa fora da sala, ir√° parecer que voc√™ passou a dominar o idioma chin√™s, quando na verdade voc√™ est√° apenas seguindo um conjunto de regras b√°sicas.


Este experimento de pensamento vem de John Searle e é uma réplica do Teste de Turing, no qual um computador tenta chegar o mais próximo possível de dar respostas semelhantes a de um ser humano durante uma conversa. Se um computador é capaz de nos enganar e nos fazer pensar que estamos falando com uma pessoa, então este computador é inteligente? A pessoa dentro da sala de Searle está agindo como um computador, seguindo um roteiro, mas não tendo conhecimento do que está fazendo.


7. O Cérebro Partido de Parfit

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Derek Parfit √© um fil√≥sofo que estudou a teoria da identidade e lan√ßou d√ļvidas sobre a ideia de uma identidade est√°vel existente ao longo do tempo.



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Digamos que nós aperfeiçoamos os transplantes de cérebro. Seu cérebro é extraído e dividido em dois, e cada metade é colocada em um clone do seu corpo. Cada paciente acorda, se lembra de suas memórias e pensa e sente como se fosse você, e agora existem duas pessoas que afirmam ser você. Existem agora dois vocês, ou você foi destruído pela criação de dois meios-você?


6. O Homem P√Ęntano

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O fil√≥sofo americano Donald Davidson foi mais longe no pensamento da teoria da identidade: digamos que, um dia, um homem est√° andando em um p√Ęntano. Com pouca sorte, ele √© atingido por um raio e morre. No mesmo momento, um outro raio atinge uma parte diferente do p√Ęntano. Este segundo raio reorganiza os √°tomos daquela parte do p√Ęntano de forma exatamente igual ao arranjo de √°tomos do homem, antes que ele fosse atingido pelo raio. Este novo Homem P√Ęntano sai do p√Ęntano pensando que √© o homem que entrou l√°, agindo como ele, sem nunca saber a diferen√ßa.


Podemos dizer que o homem que entrou no p√Ęntano sofreu danos? O homem √© realmente o mesmo que entrou l√°? N√≥s podemos ter que esperar pela cria√ß√£o do teletransporte antes de podermos responder esta.


5. Cérebro em um Tanque

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Essa é para dar pesadelos durante a noite: e se, agora, você não está lendo este artigo em uma tela de computador ou de celular com seus olhos? E se você é, na verdade, apenas um cérebro flutuando em um tanque? Você pode pensar que você iria notar se essa fosse realmente a verdade, mas este tanque é uma máquina complexa. Dados sensoriais estão sendo alimentados em seu cérebro nu. Tudo o que você vê, ouve, toca e cheira são simplesmente sinais elétricos pulsando em sua massa cinzenta. Se a simulação é perfeita e consistente, então como você pode negar que esta é a natureza verdadeira da sua existência? Será que estamos na Matrix?


4. O Monstro Utilit√°rio

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O utilitarismo √© uma filosofia √©tica que diz que devemos agir de forma a causar a maior quantidade de bem para o maior n√ļmero de pessoas. Uma frase como esta faz parecer uma ideia perfeita, mas experi√™ncias de pensamento podem sondar o limite da utilidade do utilitarismo.



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Imagine que nós criamos um ser que extrai mais utilidade das coisas do que as pessoas normais, o Monstro Utilitário. Quando comemos um bolo, temos uma certa quantidade de felicidade decorrente disso, mas a nossa criação, o Monstro Utilitário, recebe 1.000 vezes mais felicidade. Se houver apenas um bolo, para extrair o máximo uso dele, deveríamos, obviamente, dá-lo ao Monstro. Se houver dois bolos, então ainda devemos dar os dois para o monstro, já que ele vai ter mais felicidade do que se nós compartilhássemos, e assim por diante. Se o Monstro Utilitário faz um uso melhor de todas as coisas que nós, então o utilitarismo tenderia a fazer a maioria das pessoas infelizes, mas o nível total de felicidade no mundo ainda subiria.


3. O Violinista de Thomson

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Outra crítica do utilitarismo vem daqueles que valorizam os direitos pessoais. Agora mesmo, várias pessoas estão à espera de transplantes de órgãos. Você é um saco de órgãos que anda. Você pode ser feliz, mas as dezenas de pessoas que necessitam de seus órgãos iriam apreciá-los mais. A coisa utilitária a fazer seria se matar (deixar algumas pessoas tristes) e dar seus órgãos para os outros (deixando muitas pessoas felizes).


Judith Jarvis Thompson prop√īs o seguinte experimento mental: uma manh√£, voc√™ acorda conectado a um violinista inconsciente. O violinista est√° doente, e s√≥ o seu sangue pode mant√™-lo vivo. Uma sociedade de amantes da m√ļsica pagou m√©dicos para conectar os seus sistemas circulat√≥rios durante a noite. O violinista vai exigir esse arranjo por nove meses. Desconecte o violinista, e ele morre. Ser√° que seria assassinato se voc√™ decidisse se separar do violinista? Mesmo que voc√™ nunca tenha consentido com a cirurgia, voc√™ tem responsabilidade sobre o violinista?


2. Besouros de Wittgenstein

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Imagine que todos tenham uma caixa que s√≥ eles podem olhar dentro. Na caixa de todos h√° um ‚Äúbesouro‚ÄĚ. Todo mundo chama a coisa em sua caixa de besouro, mas nunca podem comparar o que est√° na sua caixa, o seu besouro, com os besouros de outras pessoas. N√≥s s√≥ sabemos o que um besouro √© referindo-nos √† nossa pr√≥pria caixa. √Č poss√≠vel que todas as pessoas tenham algo completamente diferente em suas caixas. Tamb√©m √© poss√≠vel que ningu√©m tenha nada em suas caixas.



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O ponto do experimento é que nós nos referimos a coisas que os outros não podem ter acesso. Todas as crianças em algum momento perguntam se a cor azul que elas enxergam é a mesma que os outros estão vendo. Quando eu sinto dor, como posso saber se é a mesma coisa que você está experimentando quando você diz que está com dor?


1. O Quarto de Maria

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Maria é uma cientista de nível mundial. Ela sabe todos os fatos que há para saber sobre a cor. Não há aspectos físicos, químicos ou neurofisiológicos da cor que ela não tenha estudado e dominado. Só falta uma coisa: ela realizou toda a sua pesquisa em um quarto preto e branco. Um dia, Maria é liberada de seu quarto e vê a cor pela primeira vez. Ela não aprende nada de novo; ela sabia tudo isso antes, mas ela ganhou conhecimento da experiência com a cor?


Este experimento de pensamento vem do trabalho de Frank Jackson chamado ‚ÄúO que Maria n√£o sabia‚ÄĚ e lida com um dos problemas mais profundos da filosofia: o que √© o conhecimento? Uma pergunta que talvez nem os experimentos abstratos do pensamento podem responder. [Listverse]


 


Fonte: https://hypescience.com/10-experiencias-do-pensamento/








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SINDIFAZCRE PR REGISTRO SINDICAL OBTIDO através do processo MTE 46000020980/200408
concedido por despacho publicado no D.O.U em 16/06/2009, sessão I, pág. 36
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